Ainda sobre o dia da mulher: Joanna Maranhão
Homenagem a Joanna Maranhão
Mulher,
sofreu abuso sexual, lutou, perseverou, mudou o código penal brasileiro fundou
a ONG Infância Livre e fez a sua justiça
Por Giovanna Colossi
A cada quatro anos os brasileiros tiram os olhos do futebol
e passam a conhecer outros atletas do nosso país. As Olimpíadas trazem a tona
nomes que ficam na memória dos cidadãos pelas suas conquistas nas quadras,
piscinas e estádios. Por de trás dessas vitórias existem histórias, e a de Joanna
Maranhão é digna de ser contada, recontada e lembrada.
A carreira na natação é cheia de grandes vitórias e grandes
baixas, com destaque para os Jogos Olímpicos de São Domingo e a sua chegada
triunfal à final nas Olimpíadas de Atenas em 2004, a atleta também sofreu
quedas de desempenho que resultaram em desclassificações. Assim como a sua vida
profissional, a vida pessoal também é cheia de altos e baixos causados por um
trauma de infância.
A história de Joanna com a natação começou quando tinha
apenas três anos de idade, não demorou para que se destacasse e começasse a
ganhar prêmios. A garota já começava a pegar gosto pela vida de atleta, quando
aos oito anos foi apresentada ao novo técnico do clube que treinava em Recife, com
nove anos passou a ser abusada, todos os dias durante meio ano, por um homem
que até então considerava como herói e amigo.
Joana só revelou os abusos sexuais que sofreu, em 2008
quando questionada do por que ter um desempenho tão volátil. Expôs os abusos
que havia sofrido na infância e o impacto que tinha na sua vida.
A nadadora tentou se matar duas vezes, se considera
dependente de antidepressivos, adquiriu gagueira quando fica muito nervosa,
chegou a ter ataques de pânico. O assédio prejudicou até mesmo a sua vida sexual,
tinha pânico de algumas praticas, que só foram superadas após ter relação
estável com parceiros compreensíveis.
Assim que relatou os abusos foi processada pelo seu ex-treinador
e virou réu. Foi esse processo que deu início e foi responsável pela criação da
Lei Joanna Maranhão. Como a atleta só revelou os estupros aos 21 anos, o caso
já havia prescrito.
E foi a Lei 12.650 que provocou mudanças para ser possível
denunciar caso de abuso na infância depois de adulto. A partir dessa
determinação, o prazo para a denúncia é maior e poderá ser contado a partir da
maioridade da vítima. Ou seja: só depois que a pessoa completar 18 anos
começará a contar o prazo para que o crime prescreva – tempo que varia de
acordo com o tipo de crime cometido.
O mais impressionante na história de vida de Joanna é a
forma como a atleta aceita as fraquezas que adquiriu após o período traumático na
infância e mesmo o seu trauma não tendo cura, ele ficou no passado.
Hoje a nadadora continua atuando no esporte e se empenha em
ajudar outras pessoas que passaram pela mesma situação. Criou a ONG Infância
Livre em 2014 e através do projeto oferece tratamento emergencial a crianças e
pais que procuram a ONG precisando de apoio jurídico, médico e psicológico.
Além de disponibilizar aulas de educação sexual para crianças e profissionais
que trabalhem com crianças.
Joanna é um tufão, impossível de ser parado pelo
patriarcado, pela opinião pública e pelos seus próprios medos e insegurança.
Joanna Maranhão é a personificação de muitas mulheres brasileiras.

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