Os impactos da mobilização catalã

Os impactos da mobilização catalã

Os moradores da Catalunha foram as urnas para participar do plebiscito que decidirá se a Catalunha permanecerá parte da Espanha, ou conseguirá sua tão sonhada independência

Por Daniel Gateno
    
    Percorrendo todo o território espanhol, é possível observar os diversos movimentos separatistas que existem no pais; da Galícia aos Bascos, passando pelos Catalães, existe uma vontade histórica de se tornar livre do domínio socioeconômico espanhol. 

Manifestantes pró-independência fazem a festa após o plebiscito realizado no último domingo, dia 1.

    A Catalunha possui um governo próprio, a Generalitat, além de uma policia exclusiva da região: os Mossos d´esquadra. Mesmo com toda essa autonomia, os catalães querem o fim do vínculo com a Espanha, que segundo eles cobra impostos muito altos e nunca fizeram esforços para uma unificação da soberania espanhola. Com língua, cultura e artes contemporâneas características, a região de Gaudi, Miró, Puyol e Pique investe forte na busca de sua independência.
   
   O governo espanhol, liderado pelo premiê Mariano Rajoy, alega que uma suposta separação da Catalunha é inconstitucional e por isso, enviou diversos policiais a Barcelona e outras cidades da Catalunha para impedir a realização de um plebiscito.
  
    Mes que un Club- Mas qual é a posição do Barcelona neste conflito? Futebol e política se entrelaçam na Catalunha?
   
    O Barcelona sempre foi um símbolo dos separatistas, é possível ver nos cânticos das torcidas organizadas, no terceiro uniforme do Barça e na faixa de capitão do time. Alem disso, muitos jogadores do Barcelona são catalães e favoráveis a independência como Pique e Busquets.

O emblemático mosaico produzido pela torcida do barcelona em dias de jogos, com a frase "mes que un club".

    Em contrapartida, O Espanyol de Barcelona, maior rival regional do time de Messi é totalmente contra o movimento separatista, por isso, seu nome é um sinônimo do nacionalismo espanhol que ainda existe dentro da Catalunha, mostrando que o dérbi catalão não é apenas uma questão de futebol, mas sim política.
   
    O Presidente da “La Liga”, Javier Tebas já confirmou que se a independência ocorrer, todos os times da região Catalã não poderão jogar o campeonato espanhol. Dentre as diversas possibilidades que surgem, uma delas é a do campeonato catalão, que além do Barcelona e Espanyol, teria apenas equipes semiprofissionais. A liga francesa e o campeonato inglês também surgem como possibilidades no horizonte do Barcelona.

    Confira a lista feita pelo site da ESPN Brasil sobre todos os times catalães.

Espanyol - É o segundo clube mais conhecido da cidade de Barcelona. Com quatro títulos de Copa do Rei no currículo, sendo o último deles em 2006, a equipe faz o Derby catalão com o Barça, que leva ampla vantagem nos confrontos diretos por sempre ter sido o clube mais rico e vitorioso. Fundado em 1900, joga no Estádio Cornellà-El Prat, com capacidade para 40 mil pessoas. Tradicionalmente sempre foi visto pelos catalães como um clube mais alinhado com o governo espanhol, de Madri.

Girona - Fundado em 1930, o Girona, de cidade homônima, disputa em 2017 a primeira divisão espanhola pela primeira vez na história. A agremiação tem como proprietário o City Football Group, empresa criada para supervisionar e administrar uma rede de clubes e diversas áreas dentro do futebol sob tutela do Manchester City, com a Abu Dhabi United Group como matriz. Seu estádio é o Montilivi, com capacidade para 9.282 pessoas.

Barcelona B - Em 1934, o Societad Esportiva Industrial Espanya, time de uma fábrica com o mesmo nome que tinha um presidente do Barcelona como proprietário. Em 1943, o cartola tornou a equipe da empresa como o time reserva do Barça. Já ganhou promoções para subir de nível no futebol espanhol, mas por ser uma filial do gigante catalão não teve a permissão de ser promovido. Manda seus jogos no Mini Estadi, com capacidade para 15,2 mil pessoas. 

Reus - Outro time de cidade homômina, este clube tem 107 anos de vida. Seu estádio também se chama Camp Nou, assim como o do Barcelona, com capacidade para apenas 5 mil pessoas. O clube jamais atuou na elite, e está no segundo escalão há apenas dois anos. É conhecido por ter um caráter mais poliesportivo, sem dedicar-se exclusivamente ao futebol. São popularmente chamados em sua cidade como "crochês".

Gimnàstic de Tarragona - Arquirrival do Reus, o clube foi fundado em 1886 e joga no Estádio Nou, com capacidade para 14.591 pessoas. Tricampeão da Copa da Catalunha, já esteve na elite espanhola no passado - a última vez foi em 2006/07. Uma curiosidade e foi o primeiro time da história a vencer o Real Madrid dentro do Santiago Bernabéu, em janeiro de 1948, e é até hoje o único time que saiu vitorioso de sua primeira visita à casa do gigante madrilenho. 

Badalona - Com 114 anos de história, o clube é da cidade homônima e atua em um estádio com capacidade para 4 mil pessoas. Nunca jogou a primeira divisão espanhola, mas passou 14 temporadas no segundo escalão. Hoje, disputa a "Terceirona", competição ao qual foi campeão em 2005/06. O clube também foi seis vezes campeão do quarto patamar do futebol espanhol. 

Cornellà - O clube, da cidade de mesmo nome, foi fundado em 1951 e atua no pequeno estádio Municipal, que suporta apenas 1,5 mil pessoas nas arquibancadas. É conhecido por seus bons trabalhos nas categorias de base, tendo revelado atletas como Jordi Alba e Keita Balde. No profissional, jamais chegou sequer à segunda divisão. Atualmente, está na terceira.

Llagostera - O time de Llagostera atua em um estádio com capacidade para seis mil pessoas e tem como cores principais as mesmas do Barcelona. No ano passado, o clube fundiu-se com o Palamós Club de Futbol e passou a se chamar Unió Esportiva Palamós-Costa Brava.
 
Lleida - Fundado há apenas seis anos, o clube de Lérida joga no Camp d'Esports, um dos mais antigos estádios da Espanha, com capacidade para 13,5 mil pessoas. Atualmente no que equivale à terceira divisão, o clube passou a existir depois de um time - com passagens pela elite espanhola - com o mesmo nome ter decretado falência e extinção depois de 72 anos, por dívidas de 28 milhões de euros. 

           Olot - O clube foi fundado em 1921 e atua em um estádio para somente 3 mil pessoas. Sua cidade tem o mesmo nome e apenas 34 mil habitantes, a 92 km de Barcelona. A equipe jamais jogou sequer a segunda divisão espanhola e está a apenas três temporadas no equivalente ao terceiro piso do futebol local.

Peralada - Com 102 anos de vida, o time da cidade de Peralada - que tem apenas 1.835 habitantes e estádio com capacidade para 1,5 mil, quase a população local inteira - virou uma filial do Girona, hoje na primeira divisão. Assim, passou a disputar a "Terceirona" com o nome de Peralada-Girona B, em vaga que foi comprada após o Gavá desistir por dívidas. Para isso, foi desembolsado 133 mil euros (R$ 494,74 mil).

Sabadell - O clube já atuou por 14 temporadas na primeira divisão
espanhola - a última delas em 1988 - e 43 vezes na "Segundona" - tendo levado o título duas vezes. Hoje, atua no Estádio Nova Creu Alta, que pode receber quase 12 mil pessoas. Até 2015, tinha um japonês como presidente: o empresário Keisuke Sakamoto, que havia comprado as ações do clube por 2,5 milhões de euros (R$ 9,3 milhões), mas vendeu três anos depois por apenas 51 mil euros (R$ 189,7 mil).


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