O poder dos Esportes norte-americanos

O poder dos Esportes norte-americanos
A resposta dos atletas de diversas modalidades esportivas nos EUA demonstra a capacidade dos profissionais esportivos de mobilizar e protestar contra problemas sociais no país
Por Daniel Gateno e Vinicius Batista
Jogadores da NFL protestam durante o hino nacional americano, em virtude do elevado índice de violência racial no país.
          O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incendiou os noticiários locais ao fazer duras criticas aos atletas de diferentes modalidades esportivas, que fizeram protestos contra a violência racial nos Estados Unidos. As manifestações começaram com o jogador da NFL, Colin Kaepernick que em meados de 2016, permaneceu sentado durante a execução do hino nacional americano em um jogo de pré-temporada. “Eu não vou me levantar para mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime pessoas negras. Para mim, isso é maior que futebol americano, e seria egoísta de minha parte olhar para o outro lado. Há corpos nas ruas, e assassinos impunes” disse Kaepernick na época.

 Após o repudio de Trump, diversos jogadores e donos de times da NFL se posicionaram contra a atitude do presidente, ao se abraçarem ou ficarem de joelhos durante o hino nacional. A organização que representa o futebol americano defendeu seus jogadores, assim como a liberdade de expressão. Atualmente neste esporte, cerca de 70% dos atletas são afrodescendentes, enquanto quase todos os donos das franquias são brancos e conservadores, além de alguns serem amigos de Donald Trump.
            O histórico americano de violência racial nos últimos anos é elevado; mesmo com a eleição do primeiro presidente negro da historia do país em 2008, os afrodescendentes representam 26% dos mortos nos Estados Unidos e 58% da população carcerária, segundo dados da organização “Maping Police Violence”. No ano passado, pelo menos 160 negros morreram em meio a repressões policiais, evidenciando o arcaico racismo que existe na sociedade norte-americana.
Especialistas de diversos canais americanos sugerem que Trump possa estar querendo tirar a atenção de assuntos que importam muito a sociedade civil americana como o furacão que devastou a ilha americana de Porto Rico e as votações da nova reforma tributária proposta pelo presidente no congresso americano.
Os protestos no futebol americano são, predominantemente apoiados pelos negros, 82% segundo uma pesquisa da CNN relacionada aos protestos. Entretanto, muitos brancos no mundo dos esportes estão a favor das manifestações. Na NBA, liga de basquete americana, o armador do Golden State Warriors Stephen Curry, publicou um tweet afirmando que não iria à Casa Branca ver Trump. A atitude do atleta revoltou o presidente, que cancelou o convite da equipe de visitar a sede do governo norte-americano. O armador foi apoiado pelo seu técnico, Steve Kerr e por outros jogadores do elenco.
LeBron James, craque do basquete americano, já havia manifestado seu repúdio à Trump desde o período eleitoral. Houve um receio do restante da liga em abordar o assunto, mas após a manifestação de Curry e posteriormente de Kobe Bryant, a voz dos atletas ganhou força para que eles se posicionarem sobre o assunto. E como a maioria dos atletas da NBA são negros e contra o discurso de Trump, tiveram mais liberdade para falar, como Kevin Durant que mostrou apoio à Curry e criticou o magnata republicano.
O episódio de membros das equipes se recusarem a ir à Casa Branca não é novidade. Após o título da NFL, jogadores do New England Patriots organizaram um boicote para não ver Trump. Liderados por Devin McCourty e Martellus Bennett, muitos jogadores negros não foram à sede do governo e foram apoiados por Tom Brady, Danny Amendola e Chris Long, que são brancos e também se recusaram a ir.
          

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