O poder dos Esportes norte-americanos
O poder dos Esportes norte-americanos
A resposta dos atletas de diversas modalidades esportivas nos EUA
demonstra a capacidade dos profissionais esportivos de mobilizar e protestar
contra problemas sociais no país
Por Daniel Gateno e Vinicius Batista
Após o repudio de Trump, diversos jogadores e donos de times da NFL se posicionaram contra a atitude do presidente, ao se abraçarem ou ficarem de joelhos durante o hino nacional. A organização que representa o futebol americano defendeu seus jogadores, assim como a liberdade de expressão. Atualmente neste esporte, cerca de 70% dos atletas são afrodescendentes, enquanto quase todos os donos das franquias são brancos e conservadores, além de alguns serem amigos de Donald Trump.
O histórico americano de violência
racial nos últimos anos é elevado; mesmo com a eleição do primeiro presidente
negro da historia do país em 2008, os afrodescendentes representam 26% dos
mortos nos Estados Unidos e 58% da população carcerária, segundo dados da
organização “Maping Police Violence”. No ano passado, pelo menos 160 negros
morreram em meio a repressões policiais, evidenciando o arcaico racismo que
existe na sociedade norte-americana.
Especialistas de diversos canais americanos sugerem que Trump
possa estar querendo tirar a atenção de assuntos que importam muito a sociedade
civil americana como o furacão que devastou a ilha americana de Porto Rico e as
votações da nova reforma tributária proposta pelo presidente no congresso
americano.
Os protestos no futebol americano são, predominantemente apoiados
pelos negros, 82% segundo uma pesquisa da CNN relacionada aos protestos. Entretanto,
muitos brancos no mundo dos esportes estão a favor das manifestações. Na NBA,
liga de basquete americana, o armador do Golden State Warriors Stephen Curry,
publicou um tweet afirmando que não iria à Casa Branca ver Trump. A atitude do
atleta revoltou o presidente, que cancelou o convite da equipe de visitar a
sede do governo norte-americano. O armador foi apoiado pelo seu técnico, Steve
Kerr e por outros jogadores do elenco.
LeBron James, craque do basquete americano, já havia manifestado
seu repúdio à Trump desde o período eleitoral. Houve um receio do restante da
liga em abordar o assunto, mas após a manifestação de Curry e posteriormente de
Kobe Bryant, a voz dos atletas ganhou força para que eles se posicionarem sobre
o assunto. E como a maioria dos atletas da NBA são negros e contra o discurso
de Trump, tiveram mais liberdade para falar, como Kevin Durant que mostrou
apoio à Curry e criticou o magnata republicano.
O
episódio de membros das equipes se recusarem a ir à Casa Branca não é novidade.
Após o título da NFL, jogadores do New England Patriots organizaram um boicote
para não ver Trump. Liderados por Devin McCourty e Martellus Bennett, muitos
jogadores negros não foram à sede do governo e foram apoiados por Tom Brady,
Danny Amendola e Chris Long, que são brancos e também se recusaram a ir.

Comentários
Postar um comentário