Mulheres: a difícil tarefa de representar o futebol brasileiro.

Mulheres: a difícil tarefa de representar o futebol brasileiro.

“a inserção feminina do futebol pode ser vista como uma atitude transgressora porque as mulheres fizeram valer suas aspirações, desejos e necessidades, enfrentando um universo caracterizado como próprio do homem” (GOELLNER, 2006).


Por Giovanna Colossi
(FONTE: CBF)

 
A complicada situação da seleção de futebol feminino no Brasil é um claro exemplo de que, se hoje as mulheres já conseguiram se inserir no mercado de trabalho e são chefes de família, ainda sim, tem um longo e penoso caminho pela frente até serem aceitas no futebol.

Há três semanas, a CBF anunciou a demissão da técnica Emily Lima da seleção brasileira, após 10 meses no cargo. Emily tem licença da própria CBF, cursos e anos de experiência em times de futebol feminino no Brasil. É a primeira vez, na história da seleção feminina que um técnico é mandado embora com tão pouco tempo de casa, vale acrescentar que todos os outros técnicos eram homens e nenhum deles especialista em futebol feminino.

A precoce demissão de Emily escancara a verdade. Por mais que a CBF tente se alinhar as atitudes da FIFA, que reformulou a administração tornando obrigatória a inclusão de mulheres no seu conselho e em todas as áreas administrativas, a entidade brasileira continua retrograda e sendo controlado por uma maioria de homens idosos, que fracassam em não dar oportunidade para que mulheres façam parte dos conselhos deliberativos e ignoram jogadoras e lideres femininas.

Como forma de protesto à demissão de Emily, diversas jogadoras anunciaram sua aposentadoria precoce, além de enviarem uma carta a CBF, pedindo que mulheres sejam colocadas em cargos de decisão, principalmente em cargos relacionados à própria seleção feminina de futebol.

O atual coordenador da seleção é um homem, Marco Aurélio de Cunha, que tem anos de experiência no futebol masculino, mas parece entender pouco de como lidar com o futebol feminino. Vadão, ex-técnico da seleção irá assumir o cargo novamente após a demissão de Emily. Ele comandou a seleção de Abril de 2014 a Novembro de 2016 e tem o título da Copa América, que sempre foi do Brasil, já que em outros países da América do Sul o futebol feminino vive uma situação de total negligência.


É triste, mas esperado que a CBF volte atrás de sua atitude conservadora. Se nos anos 30 as mulheres conquistaram o sufrágio no Brasil, nos anos posteriores foram descartadas da prática esportiva, mas se até homens negros tiveram que lutar por anos para poderem participar de campeonatos de futebol e hoje são a grande maioria nos times profissionais, a atual situação não irá fazer com que as mulheres desistam de serem reconhecidas.

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